Autor: Carlos Alberto - Data: 09/06/2026 07:31

Representante da umbanda fala, na Câmara de Guaxupé, sobre intolerância religiosa

Maria Aparecida Sala, zeladora do Terreiro de Umbanda Pai Xangô e Caboclo Laçador, usou a Tribuna da Câmara nesta segunda, dia 8 de junho
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A zeladora do Terreiro de Umbanda Pai Xangô e Caboclo Laçador, Maria Aparecida Sala, usou a Tribuna da Câmara Municipal de Guaxupé, no Sudoeste mineiro, nesta noite de segunda-feira, 8 de junho, para falar a respeito das religiões de matrizes africanas. Mais do que isto, a expositora enfatizou os problemas motivados por intolerância, preconceito, entre outros.
Maria homenageou antigos ativistas raciais, professores de fé em orixás e figuras caracterizadas por suas atuações em terreiros locais: "Um agradecimento aos nossos ancestres desse Município: Mãe Amália, Tonicão, Zé Roberto, Sr. Orlando e Mãe Rosi. Faço ainda menção ao grande jurista Hélio Silva, o qual disse que não há democracia sem liberdade de crença. A intolerância religiosa está enraizada no racismo. Escravizaram os negros, catequizaram os índios, abafaram os deuses e orixás. Nosso direito é ancestral, assim como é essa terra", posicionou-se ela.
Uma das idealizadoras da "1ª Marcha para Exu", realizada em Guaxupé no último mês de maio, Maria destacou: "O povo de candomblé, umbanda, quinbanda e jurema tem o direito de professar sua fé nas praças, cemitérios e ruas. Direito esse adquirido pelas leis 7.716/89, 14.532/23 e 12.288/2010. Dia 21 de janeiro é Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, estabelecido pela Lei 11.635/07. Essa cidade, como essa casa legislativa, entra para a história estadual e federal ao dar respaldo à 1ª manifestação cultural e religiosa dedicada às religiões de matrizes africanas em Guaxupé. Nosso desejo é que essa manifestação entre para o Calendário de Eventos Oficiais do Município".
Ainda por um convívio harmônico, a mãe de santo ressaltou: "O povo de axé pede respeito, pois o preconceito impera. Que nossos terreiros, ilês e juremas sejam respeitados e não violados. Que nossas árvores, flores e frutos tenham respeito, pois em nossas tradições religiosas, sem folhas não há vida. Que o abate de animais seja respeitado, pois se faz uso em todo o seu interím. Que nossos orixás e guias não sejam motivos de repulsa, muito menos nossos trajes. Ao estar nessa casa, faço de minhas palavras e voz a luta para defender essas religiões. Nossos ancestrais venceram o medo e fincaram sua bandeira nessa cidade. Hoje, nós, filhos e filhas, zeladores, pais e mães de santo, mestres juremeiros, inspirados em nossos ancestres, dizemos: hoje não temos medo, temos fé! E siguiremos firmes em nossa luta, garantido àqueles que, no futuro nos suscederão, o direito de estarem onde quiserem, com seus trajes e guias. Essa luta é diária como diária é a luta contra o racismo", complementou Maria.
Disponível no canal da Câmara Municipal de Guaxupé no Youtube, a íntegra do discurso de Maria Sala pode ser acompanhado também nesse CLIQUE AQUI.

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