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Autor: Carlos Alberto - Data: 15/05/2020 11:45

Dra. Salma afirma que nem os três exames negativos descartam COVID-19 em paciente falecida

Para a médica, que falou com o repórter Carlos Alberto nesta quinta, 14, nem sempre os exames acertarão
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A diretora técnica do Hospital de Guaxupé e vereadora no Município, dra. Salma Regina Gallate, continua suspeitando que a mulher que foi a óbito no último sábado, 9 de maio, por insuficiência respiratória, tenha sido infectada pelo Novo Coronavírus. Isto, mesmo com os três exames feitos na paciente, cujo quadro clínico evoluiu para o óbito em menos de 24 horas, tenham testado negativos para COVID-19. Em entrevista ao JOGO SÉRIO, nesta tarde de quinta-feira, 14 de maio, a médica reafirmou sua opinião contrária à flexibilização do período de quarentena. Mais do que isto, advertiu que as próximas semanas poderão ser as mais propícias para a transmissão em massa do vírus, que só no Brasil já matou 14.000 pessoas.
Dra. Salma, que na semana passada relatou a possível primeira morte por COVID-19 em Guaxupé, detalhou: "A paciente tinha um quadro clínico bastante sugestivo das infecções de COVID-19, que aprendemos nestes meses de acompanhamento do contágio. Ou seja: tinha sintomas e sinais clínicos, os quais evoluíram para insuficiência respiratória aguda e rápida. Em menos de 24h entre o início das queixas de cansaço e a falta de ar, já estava necessintando de ventilação mecânica e foi um quadro que se iniciou com simples dor de garganta", informou ela.
Segundo dra. Salma, todas as tentativas possíveis de preservação da vida da paciente foram feitas: "Foi tratada de maneira adequada, mas sem melhora. Depois de uma semana, internou-se com a gente eno Hospital, por persistência da dor e um quadro de tosse e saturação de oxigênio baixo no sangue. E em menos de 24h de internação, já estava na UTI, em isolamento, com ventilação. Depois, evoluiu mal com a ventilação. Então, são sintomas que a gente ouve e está aprendendo que isto é sinal de uma infecção por provável Novo Coronavírus. ", frisou dra. Salma.

Exames falso-negativos
Com relação exclusivamente aos exames, a médica enfatizou: "Os exames foram negativos. Fizemos PCR, teste rápido e sorologia para tentar um diagnóstico, pois precisávamos da etiologia da insuficiência respiratória e do agente causador da infecção. Não foi possível! Todos os exames negativos! O que eu posso falar sobre estes exames? Existe o tempo certo para a coleta dos exames. Nós estamos procurando fazer todos dentro do tempo apropriado. Existe toda uma logística de encaminhamento destes exames, além da possibilidade de uma carga viral naquele momento não exuberante, o que poderia facilitar o resultado principalmente do PCR, que é o que consideramos padrão-ouro. Existem também exames falso-negativos como extistem também falso-positivos. A gente vê isto também em outras doenças, dentro da Medicina. E estes exames são novos, assim como o vírus, que acredita-se sofrer uma mutação, com vários tipos de Coronavírus, causando diferentes manifestações clínicas, mas intensidade da doença", explicou a especialista.

Tudo muito novo
"Essa paciente teve uma característica clínica, uma epidemiologia que, hoje, como sabemos que é comunitária, que já está no ambiente e não se precisa ir, por exemplo, ao exterior. Ela tinha uma tomografia com resultado também bastante sugestivo no comprometimento do pulmão. Isto nos deixou muito tristes pela evolução, apesar de que ela recebeu todo o tratamento preconizado, tudo o que fizemos está dentro das normas da OMS, as Secretarias e Ministério da Saúde, de relatos e Literaturas, que são poucos, mas o que temos de periódicos conceituados, nacionais e internacionais, temos lido e trabalhado com os protocolos instituídos".

Ninguém quer inventar nada!
Em tom mais taxativo, dra. Salma reafirmou sua suspeita e criticou as tentativas de descredibilizar teorias médicas em meio à crise endêmica: "É isto mesmo! Tudo nos deixa muito preocupados, pois não dá pra descartar mesmo com estes exames negativos. E o ruim disto tudo é que a população fica mais desprotegida. Com toda essa exuberância dos quadros clínico e tomográfico, com todo o histórico da paciente, termos um resultado negativo traz para a população uma falsa segurança de que estamos seguros, que "não foi isto que aconteceu", como se a gente estivesse inventando, como se tivéssemos algum interesse em não dizer a verdade pra população, algum interesse em esconder o que realmente está acontecendo. Pelo contrário! Queremos mais é que as pessoas se previnam e saibam que existem sim estas manifestações, igual estamos vendo nas reportagens e pequenas literaturas: "Está acontecendo! É real! Está próximo da gente! Está entre nós! Então, temos de ficar cada vez mais atentos", desabafou ela.

Contra o fim do isolamento social horizontal
Dra. Salma manifestou-se ainda sobre o Decreto 2.212, instituído no último dia 30 pela Prefeitura, com a flexibilização do isolamento social horizontal, por meio de um formato semelhante ao "Protocolo Minas Consciente", do Governo de Minas. "Todas as vezes em que fomos chamados para opinar nas reuniões do Comitê da Prefeitura nossa posição sempre foi e continua a mesma. Ou seja: orientamos os isolamentos horizontal, domiciliar e o distanciamento; o uso de máscaras, a lavagem de mãos quando sai e volta para atividades necessárias, como a alimentação, a busca por algum recurso. Pedimos muito cuidado com estas aglomerações em filas de bancos... achei inapropriado, neste momento, o afrouxamento, pois o perído da viagem do vírus até o interior é agora. Nas capitais, todos os dias têm números altos de óbitos, pois, por mais que se faça isolamento, é um número muito maior de pessoas".

Quem está certo?
Ainda na entrevista, dra. Salma foi indagada sobre seu posicionamento com relação às divergências entre as recomendações do promotor de Justiça, dr. Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira, e o prefeito Jarbas Corrêa Filho (Jarbinhas), no tocante às medidas mais adequadas para prevenir a população do vírus: "Eu acho que Prefeitura, Promotoria, médicos, Santa Casa, postos de Saúde, o atendimento a convênios têm que estar todos alinhados, com as mesmas orientações. Não dá para ter exceções neste momento. O momento é de regras! E uma regra que chegará a um ponto comum, que é o de proteger a população, diminuindo o contágio", finalizou dra. Salma.

Os números
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 13.993 mortes por COVID-19. Isto, sem falar que em 24 horas foram confirmadas, nesta quarta, 14, mais 844 novas mortes. Os primeiros quatorze dias de maio tiveram 57% de todas as mortes incluídas em aproximadamente dois meses de balanço. Do primeiro caso confirmado, divulgado em 26 de fevereiro último, até agora, são 202.918 casos confirmados de Novo Coronavírus.

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